Day After: Fui demitido, e agora?

fui demitido! E agora?

Sabe esse lugar que parece estranho, desconfortável e incerto? Então essas são algumas das primeiras percepções quando recebemos a comunicação da demissão. Mas não para por aí: surpresa, confusão, dúvida, falta de clareza, sensação de estar perdido, insegurança, choque, raiva, mágoa, tristeza, podem também acompanhar esse momento da vida.

Isso tudo acontece, pois muitas vezes não percebemos que o processo de demissão começa muito antes da notícia que chega no dia D. Só que na maioria das vezes estamos tão envolvidos com os projetos, os desafios, a agenda, o orçamento e tudo mais, que não percebemos que algo está acontecendo ao nosso redor. Digo isso pois,

raras as exceções, uma demissão não acontece da noite para o dia.

Atenção aos sinais

O que observo apoiando executivas e executivos no pós-demissão, é que muitas vezes o cenário já estava colocado muito antes da data. Às vezes com sinais claros, como um feedback direto, mas muitas vezes com sinais discretos: a diminuição de escopo das atividades, a reestruturação da área tirando o profissional da função e oferecendo um projeto, a agenda cancelada várias vezes com o gestor direto, o não envolvimento em decisões mais estratégicas etc.

Até percebemos que tem algo diferente acontecendo, mas muitas vezes não damos muita importância e vamos seguindo. Até que chega a notícia que nos pega de surpresa, e com isso vem a pergunta: Fui demitido, e agora, o que fazer? Preciso atualizar meu currículo urgente! Vou ligar para todo mundo perguntando se tem “algo” para mim! Topo reduzir meu salário! Qualquer empresa serve!

                É preciso sim trabalhar muito para buscar seu novo caminho profissional, mas não adianta sair correndo e fazendo coisas que nem sabe se são as melhores para você, sem antes refletir e entender essa perda.

O luto e o tempo

A psiquiatra e escritora Elisabeth Kübler-Ross, aponta em um de seus estudos que temos três perdas que vivemos na vida e nos impactam profundamente: A morte de um ente querido; a separação de um relacionamento amoroso e perder o trabalho. E ela afirma também que quando temos perdas tão significativas, precisamos viver o luto.

E Shakespeare confirma: “Aquele que não encontra tempo para encarar o luto, não encontra tempo para curar-se”.

Ou seja, precisamos de uma coisa poderosa: TEMPO!

  • Tempo para entender.
  • Tempo para aprender.
  • Tempo para refletir.
  • Tempo para fechar esse ciclo.

Quando falo do tempo, um bem tão desejado quando estamos empregados, falo sob a perspectiva de olhar o passado para fortalecer-se para esse futuro, que em breve chegará.

E como podemos fazer isso? Só conheço uma forma: o autoconhecimento. Costumo dizer que essa é uma atitude de vida que só tem começo. Quando entendemos dessa forma, nos colocamos num lugar de aprendizes de nós mesmos, o tempo inteiro, sendo observadores de nossos comportamentos diante da vida e, com isso, ganhando mais consciência de quem somos e/ou de quem queremos ser.

Esse olhar faz toda a diferença num momento de transição de carreira.                      

É nesse lugar que compreendemos o que nos trouxe até aqui, o que deu certo, o que não funcionou e, assim, podemos fazer escolhas mais conscientes para o novo ciclo.

Deixo aqui uma sugestão:

Que tal começar fazendo uma linha do tempo de fatos importantes na sua vida? Isso ajudará você a se reconectar com sua história até aqui.

Ao fazer essa linha, cite: o ano, a situação e o seu sentimento, ou seja, tente voltar mentalmente para aquele lugar e se apropriar de sua jornada. No caso da trajetória profissional, lembre-se dos projetos que teve orgulho de fazer, dos desafios enfrentados, dos aprendizados conquistados e contribuições oferecidas, tenho certeza de que irá descobrir realizações incríveis até aqui, as quais serão sua base para o próximo passo.

Também, ao fazer essa reflexão, vai lembrar-se de pessoas que estiveram contigo, que te ensinaram, que você ensinou, que aprenderam juntos e, assim, criaram laços que hoje podem ser reestabelecidos.

Feito isso, que tal agora pensar sob 3 perspectivas:

O que faço bem: considerando a linha do tempo, pense em como fez as atividades que destacou acima, pense em suas habilidades para resolver as questões, lembre-se também de feedbacks positivos que teve.

Quais são as minhas prioridades nesse momento: o que me interessa, o que gosto de fazer, quais valores me guiam, como está a harmonia entre o trabalho e as outras áreas da minha vida.

O que o mundo precisa: agora com a visão de dentro para fora, que tal pesquisar opções de trabalho e empresas que possam estar mais aderentes a isso que você faz bem e os seus interesses.

Percebam que há aqui uma pequena provocação. Falo de trabalho e não de emprego! Aproveite esse momento de transição para também revisitar esse conceito. Olhar com a visão de trabalho não te limita, a de emprego sim.

Continuando nosso autoconhecimento, um outro olhar muito relevante nesse período é cuidar de sua energia de forma integral: mental, física, emocional e espiritual. Quando fazemos essa integração, ganhamos força para enfrentar o momento e esperança de que isso será só uma fase da nossa vida, que ao final será vencida e trará vários aprendizados.

Então, cuide de seus pensamentos, eliminando aqueles negativos; caminhe e observe a natureza; entenda suas reações e, antes de agir, reflita o que elas estão te apontando; cultive a sua fé.

Uma história real

Quero finalizar contando um case de uma cliente: em nossa primeira reunião, perguntei a ela sobre o motivo do desligamento e a resposta foi: “não tenho a mínima ideia”. Então perguntei de outro jeito: “quando você foi comunicada sobre a finalização de seu contrato de trabalho com a empresa, o que o seu líder te falou”, e ela disse: “nada”. Acolhi aquele momento entendendo que ela precisava de mais um tempo para esse entendimento.

Na sessão seguinte, sugeri que fizéssemos juntas a linha do tempo que citei acima e, ao construir, ela encontrou o motivo da demissão. Percebeu que no último ano de empresa, após uma nova mudança, sua postura não foi tão receptiva como das outras vezes, e tinha um motivo: ela entendeu que, depois de tantas mudanças, essa última vinha com um cenário muito diferente de suas crenças e Valores e ,por isso, acabou se distanciando do novo líder e deixando algumas prioridades, na visão dele, não atendidas.

Vejam aqui a descoberta que já vi acontecer várias vezes: ela provocou sua demissão, não consciente mas inconscientemente, ao passo que os novos valores da organização já não condiziam com os dela.

Será que você já viveu algo assim? Bora fazer nossa reflexão e criar um olhar de auto-observação diante da vida?

Gratidão à friendsBee, querida Andrea Destri, pelo convite! 🤍

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Sonia Custódio, Consultora de Carreira, Coach e Palestrante na LHH. Especialista no tema de Transição, Aconselhamento e Design de Carreira, assessorando executivos e executivas na construção de um novo projeto de vida e carreira.

Agradecimento pela imagem: canva ✨

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