A polivalência da mulher e o poder feminino

Dia Internacional da Mulher

A história da mulher na sociedade é também uma história de vanguarda. Desde a época pré-moderna, movimentos sufragistas que lutaram pelo voto feminino e organizações femininas que buscaram – ainda em estruturas sociais plenamente dominadas por uma cultura patriarcal – direitos e oportunidades, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, foram determinantes para que hoje celebremos, todo dia 08 de março, o Dia Internacional da Mulher. Esta data, que foi reconhecida oficialmente em 1975 pelas Nações Unidas, mas que remonta a coragem dessas primeiras desbravadoras, ainda no início do século XX, por espaços de igualdade.

Mas a força e o protagonismo se estendem para além dos campos da luta política. Na arte, por exemplo, mulheres se destacaram dentro de contextos em que, novamente, toda a conjuntura social lhes privava de terrenos de fala e autonomia.

Mulheres Memoráveis

Pensemos, por exemplo, na poetisa Safo (ainda no século VI A.C.), nas escritoras britânicas Jane Austen e Emily Brontë (que figuram entre os principais nomes da literatura dos séculos XVIII e XIX e cujas obras, até hoje, influenciam artistas em todo o mundo) e nas modernistas brasileiras Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Pagu, que revolucionaram o universo da pintura, da literatura e até mesmo os costumes sociais no Brasil dos anos 20.

Política, arte, vanguardismo, coragem e luta. Essa polivalência de sentidos, sem dúvidas, é própria da mulher. Mulheres que são independentes, mães, executivas, intelectuais, professoras, acadêmicas e que são líderes como Michelle Obama, cientistas como Ada Lovelace, artistas que marcaram uma geração como Billie Holiday.

Ser mulher

Mulheres que, por sua vez, carregam consigo leveza e equilíbrio; destemor e maturidade; empatia e amor; e cuja essência se manifesta em mulheres trans, homossexuais, cisgênero e também em homens que buscam aprender e absorver elementos do feminino para suas vidas, pois, como bem disse a escritora inglesa Virginia Woolf, quando há o equilíbrio entre as forças do feminino e do masculino “a mente é fertilizada por completo e usa todas as suas faculdades”.

Me remetendo novamente a história, no entanto, é importante que não nos esqueçamos das mulheres anônimas, comuns, que viveram (e ainda vivem) sob condições adversas e que perseveram mesmo diante dos maiores obstáculos. A própria Virginia Woolf, aliás, observou com precisão – e mesmo diante destes exemplos aqui citados que conseguiram superar barreiras estruturais imensas – que pela maior parte da história, a mulher foi mantida como o ser anônimo.

O poder feminino de transformar vidas

Esse anonimato e a simplicidade, todavia, jamais podem ser traduzidos como a ausência das virtudes da força e da coragem que discuto aqui – muito pelo contrário. Em minha vida, tive a honra de conviver com mulheres inspiradoras e advindas dos mais diversos contextos socioeconômicos, que criaram seus filhos transmitindo valores de cidadania, empatia pelo próximo e humanismo; que construíram carreiras valorosas e que conquistaram o respeito e o carinho por onde passaram; que me apoiaram nos mais diversos desafios e na própria dinâmica de minha vida familiar e profissional.

Porque ser mulher, afinal de contas, é também ter a capacidade de encarar qualquer cenário e, como diamantes, brilhamos e deixamos marcas na vida de todos – de nossos colegas, familiares, filhos, namorados, namoradas, amigos e cônjuges. E mesmo que hoje já tenhamos conquistado muitos espaços no mercado e na sociedade – honrando assim a luta das mulheres citadas ao longo deste artigo – a grande verdade é que uma série de bloqueios ainda precisam ser vencidos.

A realidade hoje

A disparidade salarial no mercado, por exemplo, ainda é uma realidade chocante diante de um mercado em que tanto se discute sobre a importância da diversidade e da inclusão. Sobre este ponto, dados de uma pesquisa da Catho divulgados no fim do ano passado alertam para o fato de que lideranças femininas ganham até 19% menos que homens e que uma mulher, com a mesma formação acadêmica que um homem, chega a ter ganhos 43% menores. E essa realidade se faz presente mesmo quando levamos em conta que as mulheres são maioria quando pensamos em profissionais graduados (52%) e pós-graduados (56%).

Isso sem falarmos em problemas sociais como a violência contra a mulher (sexual, física e psicológica), paradigmas culturais relacionados à liberdade sexual e o próprio sexismo que em pleno século XXI ainda se faz presente – um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado em 2020 apontou que 90% da população global tem algum tipo de preconceito contra a mulher relacionado a questões que vão da presença política e oportunidades educacionais aos seus direitos reprodutivos.

Sim, o caminho ainda é longo para que possamos falar, de fato, em um contexto de equilíbrio e igualdade. Não tenho dúvidas, entretanto, que seremos capazes de trilhá-lo, pois se com nossa polivalência, sororidade e contínua resiliência transformamos (e criamos) vidas, nada nos impede de transformarmos (e criarmos) uma nova cultura e um novo ecossistema social em que todos e todas poderão exercer sua autonomia e seguir o rumo de suas escolhas.

FELIZ TODOS OS DIAS A TODAS AS MULHERES.

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Lady é CEO da LadyMorais Human Capital, uma consultoria focada, genuinamente, no desenvolvimento humano e organizacional. É conselheira e VP do Instituto Brasileiro de Accountability e professora do MBA de Fraude e compliance da FIA.

>>Leia também o artigo especial Mulher de 2021: O que vim fazer aqui?

>>>Na imagem “Mulheres Incríveis”: Ada Lovelace, Frida Kahlo, Agatha Christie, Luiza Trajano, Princesa Diana, Billie Holiday, Jacinda Ardern, Virgínia Woolf, Jane Austen, Oprah Winfrey, Pagu, Michelle Obama, Malala Yousafzai, Tarsila do Amaral, Angela Merkel

imagem: friendsBee ✨