Minha história com a síndrome de Burnout

explosão de burnout

Fui convidada a conversar com o Comissão de Pessoas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), compartilhando a minha história com a síndrome de Burnout, um pouco do que venho estudando nos últimos quatro anos e os relatos que ouço nos encontros do grupo de apoio “Burnoutados Anônimos”.

Participaram da conversa os membros das Comissões de Pessoas, de Saúde e de Sustentabilidade do IBGC, Andrea DestriArmando ToledoCarla SauerFlavia Issa CevascoLidia Leila da Silva e Vanessa Pina:

Neste artigo, eu trago alguns insights que surgiram durante e depois do encontro, que foi de altíssimo valor tanto pra mim como para os membros do comitê presentes.

O valor de uma história

Preciso confessar que ainda estou me acostumando com o interesse que as pessoas têm na minha história com a burnout. Publiquei um livro (Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout) justamente com esse objetivo. Dou entrevistas e palestras falando disso e observo que os relatos das pessoas geram imenso interesse nas minhas redes sociais, mas ainda me surpreende quando me perguntam, “tá, mas como foi pra você?”, ou, “o que as pessoas te contam?”

No encontro com o comitê do IBGC foi o mesmo: eu trouxe referências e estudos dos mais diversos (todos eles mencionados ao final deste artigo), o que certamente valida a minha fala, mas existe uma reação emocional, visível, comovente que só uma história gera.

Especialmente quando falamos das organizações, a gente tende a impessoalizar e a acreditar que os dados valem mais do que qualquer coisa – mas no fim das contas, é sempre sobre pessoas, e as pessoas se movem, mesmo, é com histórias.

Como as “Burnout shops” viraram o normal do mundo corporativo

burnout shopsFonte: 2021 Global Workplace Burnout Study

Quando relatei a minha experiência com dois burnouts – o primeiro sendo diretora de atendimento de uma empresa gaúcha, e o segundo sendo gestora de projetos em uma empresa na Holanda, mencionei um conceito apresentado em uma palestra da pesquisadora Christina Maslach, a maior referência viva em burnout no mundo.

A dra. Maslach, que estuda burnout há mais de 30 anos, vive na California (EUA) e testemunhou de perto, o boom das startups de tecnologia no Vale do Silício. 

Ela conta do surgimento das burnout shops: um tipo de operação quase de guerra para fundar uma startup, trabalhar em um ritmo insano por alguns anos e depois vender a empresa por alguns milhões de dólares e, quem sabe, conquistar uma aposentadoria antecipada. Os empresários colocavam anúncios deixando claro que a operação era uma burnout shop, como dizendo: você vai trabalhar sem parar por um período, mas ao final de uns 2 ou 3 anos, você vai sair com uma grana no bolso.

As burnout shops proliferaram no Vale – mas o que passou a acontecer foi que as startups eram compradas e o ritmo de trabalho não diminuía. Pouco a pouco, o ritmo insano que era pra ter data de validade passou a ser o normal.

Esse normal rompeu as fronteiras do Vale do Silício, chegando no Brasil, por exemplo, através de fusões e aquisições de empresas brasileiras com multinacionais norte-americanas.

O resultado está aí: um terço da força de trabalho brasileira já sofria com sintomas de burnout antes da pandemia (ISMA-BR).

O trauma que nos expele das Organizações

Ao falar da minha experiência com a síndrome de burnout e suas consequências na minha vida pessoal e profissional (desemprego, depressão, estresse pós-traumático, vulnerabilidade financeira, ansiedade generalizada e crises de pânico, pra mencionar algumas), eu comento um aspecto marcante na minha história e na de tantos outros “burnoutados“: o trauma.

Burnout e trauma se entrecruzam, no sentido de que, muitas vezes, uma experiência traumática pode ser um dos muitos gatilhos para um episódio de esgotamento e, ao mesmo tempo, o próprio burnout é uma vivência traumática por si só.

Uma das características do trauma é o seu poder de sacudir completamente a nossa percepção de mundo – como enxergamos a nós mesmos e ao que nos cerca.

Comentei que, durante boa parte dos últimos seis anos, eu mal podia cogitar pisar em uma empresa novamente. Que muitas pessoas que passam por isso criam aversão a empresas, aversão a indústrias inteiras, aversão ao tal “mundo corporativo”. Eu mesma, nos meus primeiros escritos em 2018, me descrevia como alguém que havia abandonado a corrida do mundo corporativo.

Os abusos e as injustiças foram tantos que eu realmente não achei que jamais pudesse voltar a sequer dialogar com uma entidade que consistisse de equipes, escritórios, diretores e planejamentos estratégicos. O meu próprio negócio ainda sofre com isso: tenho dificuldade em cobrar por serviços, já neguei oportunidades por puro medo.

Hoje eu me reaproximo desse mundo e vejo que eu e ele estamos um pouco diferentes – eu, certamente, bem mais. Me vejo, ainda que raramente, em reuniões, e observo que estou muito mais de acordo com meus próprios termos e entregando algo no qual enxergo valor. E vejo que é fundamental que as nossas vozes sejam ouvidas nesses espaços, honrando também quem não tem forças para fazer o mesmo.

Bem-estar não é a resposta

O bem-estar organizacional é uma indústria de US$ 8 bilhões e, no entanto, um Estudo de Harvard de 2019  descobriu que os programas de bem-estar não tem impacto na saúde geral dos funcionários.

Workplace Burnout Study, 2021

Uma das respostas mais frequentes que observamos ao aumento dos casos de afastamento por questões de saúde mental em geral, em especial o burnout, é a disseminação das práticas de autocuidado. Meditação, atividade física, vale-terapia e ferramentas de gestão do tempo, entre tantas outras iniciativas, vem ganhando cada vez mais espaço – e investimento. 

Apesar de o autocuidado ser, sim, um pilar importante da prevenção e da reabilitação da síndrome de burnout, ele não pode, de forma alguma, ser o único. Isso porque o autocuidado está na dimensão do indivíduo – e o burnout é um problema do sistema (como já veremos).

A solução precisa ser sistêmica

Essa frase da Vanessa Pina, conselheira organizacional que foi meu primeiro contato no IBGC e me abriu as portas do Instituto, é verdadeira e encontra comprovação na literatura sobre burnout. Em um estudo de 2016, a Mayo Clinic consolidou as áreas estratégicas da relação com o trabalho com os atores que impactam a saúde de seus profissionais. São os atores:

bem-estar não é a soluçãoAdaptado de: Longitudinal Study Evaluating the Association Between Physician Burnout and Changes in Professional Work Effort. Mayo Clinic, 2016

Os esforços para enfrentar esse desafio devem primeiro reconhecer que o burnout é, em grande parte, um problema do sistema. Esforços sinceros para aliviar o problema devem abordar os fatores de burnout, incluindo cargas de trabalho excessivas, ineficiências no ambiente, perda de flexibilidade e controle sobre o trabalho, barreiras à integração saudável entre vida profissional e pessoal e a erosão do significado no trabalho. Fatores individuais, da unidade de trabalho, da organização e nacionais também contribuem para cada uma dessas dimensões. Vários estudos importantes forneceram insights a esse respeito.

Assim como o burnout não é um problema individual, ele tampouco é “apenas” uma questão de cansaço físico ou mental. Em seu livro de 2000, a pesquisadora Christina Maslach listou seis áreas estratégicas para a relação com o trabalho, sendo elas:

  • recompensa
  • justiça
  • comunidade
  • sentido
  • autonomia e
  • carga de trabalho. 

As áreas estratégicas que predizem engajamento ou burnout

Em anos de estudos nos EUA e no mundo, a dra Maslach encontrou uma correlação entre essas áreas e o engajamento ou esgotamento da equipe. Ainda, ela comprovou que é possível prever, de acordo com o nível de compatibilidade dessas áreas com cada colaborador, em cada área da organização, se a equipe está engajada ou em risco de burnout.

Combinando a pesquisa da professora Maslach com as inferências iniciais do psicanalista Herbert Freudenberger, que desenvolveu o conceito clínico de burnout nos anos 70, com as minhas duas experiências de esgotamento e os relatos do grupo de apoio, eu ouso propor a inclusão de duas áreas igualmente estratégicas ao composto: identidade e descanso & desconexão.

Adaptado de: Banishing Burnout: Six Strategies for Improving Your Relationship with Work Christina Maslach e Michael P. Leiter, 2005

O modelo funciona da seguinte forma => quanto maior a compatibilidade entre o que o ambiente de trabalho oferece e o que seus colaboradores priorizam como importante, mais engajada estará a equipe. Por outro lado, quanto maior a incompatibilidade, maiores as chances de afastamentos por estresse e burnout.

Cada área estratégica tem seus sub-itens, e aqui você encontra um questionário de autoavaliação da relação com o trabalho partindo desses itens. Partindo deste framework, o papel da gestão direta e indireta se torna identificar quais os pontos de maior incompatibilidade entre as práticas atuais e as demandas das equipes e endereçá-las de forma estratégica.

Um exemplo dado pela própria dra. Maslach: uma equipe de uma das organizações consultadas por ela apresentou uma pontuação altíssima de incompatibilidade no quesito recompensa. Ao investigar este ponto, entendeu-se que a organização oferecia uma premiação que parecia ser uma excelente ideia para reconhecer talentos. No entanto, as equipes não tinham clareza das regras da premiação e tudo parecia uma grande politicagem. A iniciativa foi substituída por outras estratégias de recompensa, mais transparentes e compatíveis com as expectativas das equipes, e após um ano o score de recompensa melhorou sensivelmente.

No fim, uma palavra resume tudo: Segurança

Obviamente, há muito, muito a se falar sobre burnout. E é justamente a sua natureza multifacetada, multifatorial e interdisciplinar que mais me causa fascínio. 

Existem fatores individuais, psíquicos, fisiológicos, organizacionais, culturais, econômicos, políticos, judiciais e sociais em jogo quando falamos da síndrome de Burnout. Ela é um espelho da nossa sociedade, das nossas relações interpessoais, da forma como nos relacionamos com o trabalho, das nossas prioridades individuais e coletivas e da nossa bússola ética.

Um ponto que eu deixei de mencionar durante o encontro do IBGC, mas que sinto que não pode faltar nesta discussão, é a ideia de segurança.  

Se a síndrome de Burnout é causada pelo estresse crônico, e o estresse, por sua vez, é causado por sensações de ameaça, o cultivo da segurança talvez seja o antídoto mais simples e efetivo contra a Burnout.

Quando nos sentimos seguros em um emprego, sem medo de sermos demitidos, sem medo de sermos julgados, sem medo de sermos nós mesmos, nós conseguimos acessar um nível muito mais completo da nossa cognição. Quando nos sentimos seguros, somos mais criativos, somos mais organizados, somos mais lógicos.

Um dos meus muitos trabalhos internos dos últimos sete anos vem sendo cultivar um senso interno de segurança. As práticas de autocuidado ajudam nisso, pois estimulam a área do nosso sistema nervoso responsável por nos acalmar, e que age em contraposição à área responsável por nos colocar em alerta – e em estresse. Quando meditamos, quando estamos em meio à natureza, nos sentimos tranquilos e isso faz bem pra saúde. 

Existe um desafio inevitável de cultivar um senso de segurança dentro das organizações. Entender que já superamos o modelo de gestão pelo comando e controle e estamos, sim, nos movendo na direção de lideranças mais compassivas. A ex-executiva e atual consultora de Desenvolvimento Humano Ligia Costa publicou um livro sobre o tema, chamado Líder humano gera resultados: Como ser um líder que transcende o eu e faz a equipe e a empresa crescerem.

O tema segurança psicológica vem sendo cada vez mais trazido nos ambientes de trabalho, o que é algo que pode contribuir sensivelmente para o bem-estar das pessoas nas organizações. 

Acredito que estamos aprendendo, individual e coletivamente, que não precisamos mais fazer de conta de que temos todas as respostas. Algo muito mais legal surge quando podemos ser nós mesmos, com nossas potências e limitações. E eu espero que seja só uma questão de tempo até que os índices de esgotamento sejam drasticamente reduzidos e, especialmente, que quem passa por isso seja devidamente amparado, devidamente acolhido e devidamente recompensado por toda a riqueza que já gerou para seu empregador.

Concluindo

A síndrome de Burnout é um tema complexo: receitas de bolo e simplificações não contribuem para o debate. É preciso superarmos a dicotomia presente entre a individualização e o que muitos chamam de “vitimização”: burnout não é um problema apenas do indivíduo, tampouco 100% da responsabilidade recai sobre as organizações. A síndrome é um fenômeno sistêmico e que demanda ações nos planos individuais, coletivos, sociais e judiciais.

Quem adoece tem pela frente um trabalho interno inevitável, de reconhecer seus limites, de identificar gatilhos e ressignificar sua relação com o trabalho e consigo mesmo. As Organizações tem a responsabilidade de prevenir os riscos psíquicos e físicos e de amparar da melhor forma possível quem está em risco ou já colapsou, fazendo, também, seu trabalho interno de rever sua cultura e suas práticas de gestão.

Lembre-se: pessoas não adoecem em ambientes saudáveis.

O amparo precisa ser emocional e financeiro: a vulnerabilidade financeira de quem passa por um burnout e é demitido logo em seguida ou tem seus direitos negados é um problema sério, que só atrapalha a recuperação e coloca, muitas vezes a vidas pessoas em risco.

Foi terapêutico estar diante daquele comitê . Eu, que passei mais de cinco anos completamente descrente das organizações e do mundo corporativo como um todo. O que vi nesse encontro foi que, sim, existem práticas abusivas, e que, sim, estamos diante de um claro limite dos nossos sistemas econômicos, sociais e da forma como enxergamos o trabalho. Mesmo com isso tudo, existem pessoas em que vale a pena acreditar

Pessoas que estão dispostas a fazer diferente, dispostas a fazer valer suas vozes, dispostas a aprender e a ensinar. Indivíduos que sabem da importância do cuidado nas Organizações, tanto por sua própria ética como por entendimento de que ambientes psicologicamente seguros apresentam uma vantagem competitiva e que o lucro não pode mais ser a única medida de sucesso.

E é por essas pessoas e para essas pessoas que eu me dedico, e me coloco à disposição para colaborar e para ajudar a construir um futuro do trabalho mais saudável, mais justo e mais ético.

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Carol Milters é escritora e investigadora da Saúde Mental no Trabalho | Síndrome de Burnout & Workaholismo. Idealizadora da 1ª Semana Mundial de Conscientização da Burnout e do grupo de apoio online Burnoutados Anônimos.

Autora do livro “Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout”

>> Recomendação: Saiba mais sobre essas áreas estratégicas na Aula aberta: Como a geração Burnout vai reinventar a relação com o trabalho

>> Artigo Depoimento: No fundo do poço pode haver um trampolim

>> Complemente seu conhecimento: Uma Travessia pelo Desenvolvimento Emocional

* Este artigo foi publicado originalmente AQUI, onde há muitas recomendações de conteúdo sobre o tema Burnout.

Agradecimento pela imagem: Gerd Altmann✨

Minha existência, minha expressão no mundo, meu EU

A expressão do meu Ser

“É trágico não se lembrar de si mesmo. E não notamos que não lembramos. Lembrem-se de vocês sempre e em todo lugar.” G.I. Gurdjieff

Pergunte-se, neste exato momento: Quem está lendo esse artigo? Sou o Eu Real ou o Eu que representa um personagem, um papel?  Quais os adjetivos atribuídos a si mesmo? Qual o seu interesse? Qual a sua intenção ao ler este artigo?

             Tudo na vida precisa ter um significado, um porque, isso é o que nos conecta com nossa essência.

Tenho percebido, a cada dia com mais frequência, o quanto as pessoas estão buscando alternativas, recursos, cursos, processos terapêuticos, retomadas de práticas espirituais, novas filosofias de vida, enfim, buscando a si mesmas.

Fazemos muitas interações utilizando recursos digitais, como Whatsapp, Instagram, Google Meet, Teams, Zoom, e outros, mas isso não basta. Muitos continuam se sentido solitários, desconectados. Os dias estão sem sentido, uma sensação de maior tristeza, angústia e ansiedade.

Está faltando mais o olho no olho, o abraço, a presença, a troca de afeto, a proximidade. Vale ressaltar que isso se dá independentemente do espaço físico em que se está. Em algumas situações pode-se estar na cozinha, na sala ou no quarto, em interação presencial, mas ainda assim, sem toque, é como se virtual fosse.

Estamos precisando aprender a nos conhecer e a ter disponibilidade para conhecer o “outro”.

Minha expressão no mundo, meu EU

Há de se considerar que, ao longo de nossa jornada existencial, aprendemos a representar diversos papéis: filho, filha, amiga, amigo, colega, cônjuge, estudante, profissional, etc., e vamos aumentando nossas máscaras, trocando algumas moedas para ganharmos mais ou menos atenção, valorização e reconhecimento, promoção, dinheiro, status social, e nos distanciando de quem somos, de qual é o meu EU real, minha alma, minha consciência.

Dedicamos nossos segundos, minutos, horas, dias, expressando um Eu aprendido, respondendo a estímulos externos, vivendo dias glamorosos, viagens, sefies, roupas e sapatos, ternos, sem nos conectarmos. Afinal por que EU estou vivo?

Eu acredito que o sentido da minha existência, neste Planeta Terra, neste século, neste país, nesta família, tem um propósito maior, que visa contribuir com as pessoas com as quais me relaciono, assim como aprender e reaprender, continuamente, buscando a evolução e não apenas o crescimento.

Indagações ao seu EU

Te faço um convite: pare, respire e silencie-se. O que te traz aqui, agora? Sinta o seu corpo, note sua presença.

Sossegar a mente e conectar-se com Você é o segredo da Vida. Temos despendido nossos olhares, nossas observações, nosso tempo, em ter e não em ser.

Reflita o que tem feito de diferente no dia a dia, quais os ganhos do seu jeito de ser? O que pode fazer que ainda não está fazendo?

O que ainda lhe causa medo, insegurança, porque não se sente seguro em conviver com a sua fragilidade? Como pode contar com a outra pessoa sendo a sua complementariedade, e ainda, como aprender a viver e a conviver com mais serenidade, alegria e se divertindo com frequência?

Sua ação faz a diferença no mundo

Podemos transformar este Planeta. Se cada um de nós perceber que somos especiais e diferenciados, com um potencial enorme para fazer e acontecer, desde que o seu e o meu propósito estejam bem definidos, seja evidente e real, apostando no bem estar, no bem comum, na promoção da felicidade, em trabalhos colaborativos, podemos transformar a atual realidade. 

Não é possível acreditar que ser Ser Humano #deuruim. Afinal, quantas histórias de vida estão sendo contadas na mídia de pessoas que, diante das tragédias de outras vidas humanas, estão se articulando e atuando como mobilizadoras, se desprendendo do seu conforto material e social, com o único objetivo: minimizar o sofrimento do outro Ser que está em desgraça, e este é o verdadeiro trabalho.

Busque produzir, trabalhar, em prol de outras pessoas. Resgate sua humanidade, sem precisar divulgar para os demais o que está fazendo. Caridade e compaixão estão sendo demandadas.

Trabalhar, fazer, influenciar, posicionar-se para que outras pessoas não percam a oportunidade de continuar respirando e sobrevivendo, reconstruindo-se.

Muito do que está acontecendo é em decorrência de tantos egos desorientados e desalmados, de tanta necessidade de poder e de perpetuação, esquecendo que na Vida tudo passa, tudo tem um fim.

Como atuar para o mundo que se quer viver?

Podemos transformar esta realidade? Claro que sim. E, para isso, é preciso acessar sua consciência humana.

Comece em sua casa, olhe e escute mais as pessoas com as quais você dorme e acorda todos os dias. Depois expanda para as suas relações sociais, chegue até o local de trabalho e pense em como você tem se posicionado nas mesas de tomadas de decisões. Qual a oportunidade que você tem de fazer algo que beneficie as outras pessoas? O seu coletivo? Você pode e deve tomar decisões mais propositivas, mais colaborativas e menos egoicas. Expandir a sua consciência profissional é o caminho.

Precisamos nos integrar cada vez mais para que cada um possa contribuir com a sua essência. Podemos firmar compromissos de humanidade, de relações mais transparentes e verdadeiras, de integração, inclusão e valorização entre as diferentes “tribos” e incentivar ações mais coletivas. Para isso será preciso abrir mão de papéis, máscaras, status, relação de eu ganho e você perde.

Sinceridade começa em si

Há várias perguntas que me inquietam muitas vezes ao dia:

  • Será que estou disposta a me desapegar das minhas crenças?
  • Sinto confiança em me posicionar de forma diferente?
  • Consigo abrir mão de tudo o que tenho para compartilhar com os demais?
  • Por que estou sendo chamado para trabalhar com esse tema e com essas pessoas?
  • O que mais preciso aprender?
  • Como me percebem, sou Eu mesma?
  • O que quero mais e o que não quero mais em minha vida?

Boas e verdadeiras reflexões à se fazer.

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Cecilia Barboza atua como Consultora de Desenvolvimento Humano, Coach, Painelista e Palestrante

Gosta do tema? Recomendamos também:

=> Crenças Limitantes, a vida conduzida pelo inconsciente, de @aline-paixao

=> Como está a sua bagagem da vida, de @marcelo-bandeira

✨Agradecimento pela imagem: @jessicafelicio

Perdoar ou não perdoar? Esta decisão impacta a sua saúde

Perdoar é libertador

Conheça o efeito devastador que o estado de não-perdão pode causar na sua vida

Sinceramente, pense: Existe alguma área da sua vida que está travada? Alguma área que não vai para a frente? Alguma situação desagradável que se repete como um ciclo vicioso, mesmo você mudando de ambiente e se relacionando com pessoas diferentes? Por acaso você já se perguntou se essa trava pode estar relacionada com mágoa ou ressentimento que você carrega por algum fato do presente ou do passado, ainda que a nível inconsciente?

Acredite, pode ter total relação. Todos os problemas da vida surgem de um estado de não-perdão, a você mesmo(a) ou a outra pessoa. Perdoar ou não perdoar é uma decisão que impacta a sua saúde física, mental e espiritual.

O significado do Perdão.

A palavra perdão vem do latim per (total, completo) donare (dar, entregar, doar) e, de forma singela, significa renunciar ao ressentimento (sentir novamente) que se tem contra alguém, deixando ir  por completo esse sentimento negativo. Como consequência, você se liberta do que te prendia a essa pessoa, restituindo a sua paz e tendo mais controle sobre os seus pensamentos.

No livro “As 5 linguagens do Perdão”, o autor Gary Chapman diz que algo no íntimo da pessoa ofendida exige justiça. Porém, geralmente o desejo de se reconciliar é maior que o anseio por justiça. E o que isso nos traz de reflexão? Que no fundo, bem no fundo, o nosso maior desejo é de fato, liberar perdão e sermos livres!

Então porque algumas pessoas insistem em sustentar um padrão de ressentimento, mesmo sabendo que só estão prejudicando a si mesmas?

Por que é tão difícil perdoar?

“ Simples. Por causa do ego, que insiste em dizer que, se perdoar, a pessoa que errou ficará impune. E isso soará como uma vitória para quem errou, por não haver consequências ou punição, em alguns casos”

Embora todos os sentimentos sejam legítimos e importantes, os sentimentos tóxicos, no longo prazo, podem favorecer a somatização no corpo físico, dando origem a doenças das mais variadas, como o câncer, por exemplo.

Além disso, a mágoa nos impede de agir de modo amoroso, pacífico. Pode notar que pessoas magoadas agem sempre na defensiva e tem muita dificuldade de ouvir outros pontos de vista. Com isso, se tornam escravas mentais de quem as magoou, desistindo de ter bons sentimentos e perspectivas em relação a outras pessoas.

O grande engano que a maioria das pessoas comete é achar que alimentando a mágoa, seja com atos, palavras ou ações, se vingará de quem as machucou. Muito pelo contrário, apenas ferirão a si mesmas.

A memória, a crença  e o perdão

Um conceito libertador: O Perdão não é para quem errou. É para você!

De acordo com a “Teoria Geral das Memórias”, de autoria do Phd. Paulo Vieira, toda vez que um fato ocorrido no passado é relembrado por uma pessoa ao recontar a sua história, essa comunicação vai gerar uma imagem mental, traduzida em forma de pensamento, e esse pensamento vai gerar um sentimento, que em se tratando de mágoa será um sentimento tóxico, fazendo com que essa pessoa tenha a sensação de estar vivenciando a mesma situação ruim novamente.

Então, se eu relembro várias e várias vezes uma traição, por exemplo, ou uma demissão, é como se novamente eu estivesse sendo traído, novamente sendo demitido. E todos esses sentimentos vão criar a minha realidade, pois o cérebro não distingue o que é real do que é imaginado, e é aí que se dá início a repetição de situações negativas na vida. Porque todos esses sentimentos vão virar crenças! E toda crença é autorrealizável. Ou seja, vai acontecer!

“É muito louco, mas inconscientemente você acaba atraindo para a sua vida pessoas e situações que farão com que você reviva esses episódios negativos, reforçando um vício emocional que você talvez tenha desenvolvido na infância e que você acaba levando para a vida adulta, sem nem mesmo ter consciência disso.”

Você vive as suas crenças e absolutamente nada na sua vida é coincidência. A sua vida é um reflexo de tudo o que você acredita, reforçado por suas experiências anteriores e por tudo o que você viu, ouviu e sentiu, sob repetição ou forte impacto emocional em algum momento da vida.

Perdoando quem não merece o seu perdão

Outra forma de pensar que dificulta perdoar é achar que a pessoa não merece ser perdoada. E sob essa perspectiva nota-se que o orgulho está presente, pois você comete o engano de achar que é superior a pessoa que errou, e passa a olhá-la como inferior, com desprezo. Notadamente isso é manifestação de orgulho puro, afinal de contas, você também erra ou já errou em algum momento da vida com alguém!

A questão não é se a pessoa merece ou não, a questão é que você foi criado para a liberdade; e se manter magoado e ressentido é uma das piores formas de se manter acorrentado à pessoa que te feriu. É entregar nas mãos do outro a responsabilidade pelos seus sentimentos, e, simultaneamente, enfraquecer o seu poder pessoal.

De acordo com Paulo Vieira “Perdão é assumir a responsabilidade pelo modo como você se sente”  (livro: Poder e Alta Performance). É abandonar uma postura de vítima frágil e assumir a postura de vencedor e comandante da sua vida.

E saiba que é também uma habilidade treinável, nem sempre acontecendo de imediato.

Essencialmente, é de suma importância alterar a comunicação rancorosa o quanto antes. Evitar falar no assunto para muitas pessoas (para não ficar contando e recontando a história compulsoriamente).

“Quando a comunicação de mágoa é removida, constrói-se na própria pessoa a autoaceitação, a autoaprovação e o amor-próprio”

Perdão não requer reconciliação

Perdoar de forma alguma significa não reconhecer que houve maltrato, ignorar o mau comportamento, tampouco negar e minimizar o seu sofrimento. Também não significa se reconciliar e conviver com o autor da afronta. Significa apenas, não exigir absolutamente nada do agressor, como um pedido de desculpas, por exemplo (exceto em casos excepcionais em que a reparação de danos deva ocorrer).

O Perdão não é um sentimento nem um acontecimento. Uma vez que você opte por perdoar, precisa fazê-lo de todo o coração, independente do que tenha acontecido. Porque o preço que se paga por não perdoar é caro demais.  É se condenar a viver uma vida de infelicidade, sem força, sem brilho, por alimentar sentimentos tóxicos que vão prejudicar tanto a si quanto as outras pessoas que convivem com você.

Exercitando o Perdão

Para o bem da sua saúde emocional, o Perdão sempre será a melhor escolha!

Sabe o que é mais interessante? Para perdoar você não precisa estar na presença física da pessoa que te magoou. Você sequer precisa voltar a conviver com ela. Quantas e quantas pessoas de bom coração perdoaram e aceitaram trazer essa pessoa para o seu convívio, e de novo foram feridas e machucadas, porque a pessoa não teve a maturidade necessária e/ou os recursos emocionais sólidos para honrar esse voto de confiança!

Como já dito, o cérebro humano não distingue o que é imaginado do que é real, portanto, com um simples exercício de visualização você pode praticar perdoar, sem nem mesmo a pessoa que você guarda mágoa saber dessa sua decisão. Por outro lado, se esse for o seu desejo e você tiver essa necessidade, pode dizer pessoalmente a ela que a perdoa.

Exercício prático:

Vamos a um exercício prático para saber se de fato você perdoou ou se ainda está orbitando na mágoa e no ressentimento.

Vamos supor que você tenha decidido perdoar…

Feche seus olhos e imagine essa pessoa na sua frente. Seja detalhista, se envolva na cena, ouça essa pessoa te pedindo perdão com uma postura de humildade. Olhe nos olhos dela e com a mesma postura de humildade diga que a perdoa. Em seguida, imagine essa pessoa indo embora, ficando cada vez mais e mais distante de você. E, ao mesmo tempo em que ela vai embora, você vai ficando leve, cada vez mais leve por ter retirado esse peso das suas costas.

Por fim, imagine essa pessoa que você perdoou muito feliz, sorrindo, realizando os sonhos dela e prosperando em todas as áreas da vida. Qual foi o sentimento? Se foi um sentimento bom ou neutro, parabéns, você realmente perdoou. Agora, se ver essa pessoa feliz te causou algum incômodo, significa que você ainda está se sentindo ofendido e precisará repetir esse exercício por muitas e muitas vezes, até que não fique nenhum resquício de mágoa, se essa for a sua vontade.

E se essa pessoa que você precisa perdoar for você mesmo? Apenas reflita.

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Aline Paixão é Advogada, Analista de Perfil Comportamental e Coach Integral Sistêmico formada pela Febracis. Atua também como Palestrante e Treinadora.

>> Gostou? Leia outro artigo de Aline, “Crenças limitantes, a vida dirigida pelo inconsciente”

>> Recomendamos também para o seu autodesenvolvimento “A relevância das Práticas Contemplativas para a saúde emocional”

Agradecimento pela imagem: @pexels ✨

Segurança Psicológica de Times – O Novo Ovo de Colombo?

Segurança Psicológica

De acordo com alguns psicólogos, a felicidade pode ser avaliada a partir da resposta a duas perguntas simples.

  • Primeira: você encontra sentido em seu trabalho?
  • Segunda: você tem um bom relacionamento com as pessoas ao seu redor?

Em que mundo estamos?

A trajetória humana tem se transformado de maneira assustadora neste novo século. O avanço tecnológico balançou, e muito, nossas estruturas pessoais internas e nossas referências de como lidar com o mundo do trabalho.

Os negócios buscaram em sua evolução cada vez mais não dependerem da mão de obra chamada operacional, e um antigo discurso foi propagado: “O humano precisa fazer algo nobre, onde ele contribua com sua criatividade. Trabalhos repetitivos são para máquinas”.

Com isso, uma nova direção começou a surgir: maior robotização nas indústrias, sistemas, processos padronizados. E, assim, para sobreviver à concorrência, todas as empresas foram nessa direção e mudanças cada vez mais aceleradas passaram a ser a palavra de ordem. Inovação!

Mas em todo processo de mudança, quando não sabemos muito para onde ir e não recebemos uma trilha que nos direcione minimamente ao destino desejado, saímos em busca de exemplos bem sucedidos de outras empresas, buscando uma forma de “encurtar o caminho” e os encaixarmos em nossa empresa. Às vezes até de uma forma temporariamente eficiente, mas com poucas possibilidades de sustentação a médio e longo prazo, por quê?

Mudar uma empresa requer trabalho duro, não só os investimentos em máquinas e em novos processos e tecnologia, mas intensamente no comportamento das pessoas, nas relações interpessoais, na comunicação …. enfim na Cultura.

Realidade corporativa – problema ou desafio?

Talvez por isso temos nos deparado com altos e preocupantes índices de rotatividade, escassez de profissionais qualificados, pedidos de desligamento em massa, doenças psicoemocionais como burnout, baixo engajamento de equipes, lideranças cansadas, etc…

O ambiente de trabalho está mudado:  comunicação transparente, relacionamentos com confiança, diversidade, imagem do negócio, fusão e aquisição, tudo junto e misturado de forma muito rápida , complexa e inter-relacionada.

Com este cenário provocando novos olhares, vemos que empresas que têm buscado valorizar aspectos mais humanos têm obtido mais sucesso. Aliás, o Fórum Mundial destaca 10 habilidades humanas requeridas para 2025 e todas elas ligadas a 3 grandes blocos:

  • solução de problemas
  • autogerenciamento
  • trabalhar com pessoas

Assim, encontrar um sentido no trabalho e ter um bom relacionamento com as pessoas, é o mote para o mundo do trabalho. Por isso, comecei com duas frases tão poderosas de Haemin Sunim, que tem me levado a refletir sobre o tema: Como uma empresa pode promover um ambiente de Segurança Psicológica?

Desmistificando a Segurança Psicológica de Times

Começo afirmando que todos nós buscamos fazer parte de uma “tribo”, de sentir pertencimento e valorização pelo que somos e do jeito que somos.

Quando sentimos que somos ouvidos e percebidos por aqueles que fazem parte do dia a dia, somos capazes de realizar coisas que vão além de qualquer expectativa. Criar um ambiente com segurança psicológica não é um fim em si mesmo, e sim um meio pelo qual a empresa poderá medir o quanto as pessoas estão ou não estão felizes naquele ambiente de trabalho e como as práticas de gestão das pessoas estão favorecendo, ou não, o sentimento de ambiente psicologicamente seguro.

Segurança psicológica é resultado de um ambiente que “permite” a demonstração de maior vulnerabilidade pessoal, de se sentir ouvido e ter espaço de fala, são dois pontos que facilmente indicam um ambiente mais seguro. Olhar para alguns fundamentos que já foram pesquisados como promotores de um ambiente mais seguro ajuda a entender o que pode ser feito por uma empresa que quer obter melhor performance de pessoas e times.

  1. Organização Apoiadora: A empresa favorece troca efetiva entre áreas ou times? O resultado coletivo é mais ou tão valorizado quanto o individual?
  2. Confiança e Respeito: As divergências ou conflitos são vistos como busca coletiva de melhoria nos processos ou resultados? A comunicação é autêntica e aberta?
  3. Comportamento da Liderança:  Hierarquia rígida, centralização de decisões, baixa tolerância a erro, valorização exagerada do resultado individual, predomina no ambiente da empresa?
  4. Dinâmica de time: O ambiente favorece troca entre as pessoas? Socializar e conhecer outros times é estimulado e valorizado?
  5. Prática: O ambiente favorece projetos em time e valoriza a experimentação e aprendizado coletivo? Erros levam ao aprendizado, à correção de processos, ou busca culpados?

Estes fundamentos são a base para que as pessoas percebam o ambiente favorável à exposição individual mais autêntica e, com isso, os times poderão tornar-se mais funcionais, já que as pessoas sentirão liberdade para buscar uma construção conjunta de resultados.

Então, o que é e como implantar a Segurança Psicológica de Times?

Este tema ganhou grande repercussão quando o Google, em seu Projeto Aristóteles, saiu em busca de padrões de excelência de time. Dos 5 padrões identificados em times funcionais, aqueles com melhores resultados e performance, a segurança psicológica foi o componente que, quando não presente, impactava nos resultados destes times.

Termo cunhado há mais de 20 anos pela Dra. Amy Edmondson, professora da Harvard Business School. Segundo ela, Segurança Psicológica “É a crença compartilhada de que o ambiente de trabalho é um lugar seguro para correr riscos interpessoais”.

Segundo a Dra. Amy, há 7 elementos que compõem a Segurança Psicológica de Times, e que, quando um deles não está presente, o impacto é um time menos funcional, com um potencial de performance a ser explorado e melhorado, são eles:

  1. reação a erros
  2. lidar com problemas
  3. aceitação da diversidade
  4. assumir riscos
  5. pedir ajuda
  6. apoio mútuo
  7. apreciação

Segurança Psicológica de Times, uma experiência pessoal

Aproveito para compartilhar um case pessoal, onde hoje fica claro para mim o quanto o espaço de fala contribui para potencializar o desempenho do time.

Tive a feliz oportunidade de fazer parte de um grande projeto de transformação de processos de uma área fabril. Naquele tempo a figura do líder era fundamental, ele tinha como maior atribuição direcionar à cada máquina sob sua responsabilidade, as atividades que aquela equipe de operadores deveria executar naquele dia.

O projeto tinha o objetivo de melhorar a performance e a fábrica precisava aumentar sua produção, pois havia claramente uma ineficiência nos resultados. Várias ações estavam em andamento.

O diferencial foi ter favorecido que o time de uma área-piloto começasse a entender o que estávamos buscando com o projeto, o que fez com que os operadores saíssem de coadjuvantes, ou seja, ficassem esperando que o líder orientasse o produto a ser feito e parando frente a um problema, para uma equipe de pessoas que contribuíam diariamente com sugestões de melhoria e ações rápidas e efetivas para que a perda de produtividade fosse a menor possível.

A resposta e empoderamento do time, levou a resultados surpreendentes, o que permitiu instantaneamente a expansão das ações para outras máquinas. Segundo os participantes do projeto piloto, o engajamento rápido e aumento da performance do time se deveu, em grande parte, a encontrar sentido no trabalho, serem ouvidos e ter um espaço para serem o melhor que podiam ser na empresa.

Já conhecíamos a inteligência coletiva do relacionamento interpessoal em times, com várias pesquisas e literatura sobre o tema, mas para mim, o grande diferencial foi a Dra. Amy ter estudado, mensurado e tangibilizado aspectos subjetivos das relações humanas, como predominantes para a performance diferenciada e funcional de um time, um desafio constante nas agendas de Recursos Humanos. Segurança Psicológica de Times, o novo “Ovo de Colombo”, que vem ganhando espaço nas empresas, enfim.

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Ana Cafarelli é psicóloga na área de comportamento humano com especialização em Segurança Psicológica de Times e Plantão Emocional nas empresas. Atua como Consultora e Coach.

>> Contato:        Cel :   ( 11) 9 9111.9936                   E-mail : [email protected]

>> Livros de referência para o artigo: “As coisas que você só vê quando desacelera” – Haemin Sunim e “A organização sem medo”-  Amy C. Edmondson.

>> Gostou do artigo? Recomendamos a você: A importância do diálogo para a construção de relações verdadeiras”, da coach @celia-marchioni

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Autoconhecimento e Autoeducação impactam as relações familiares

autoconhecimento e casamento

Sim, o autoconhecimento e a autoeducação são fatores essenciais para a saudável relação de casal e destes com os filhos. Os casais que já estavam tendo conflitos na relação entre si e/ou com os filhos antes da pandemia, depois desta, a tendência foi a crise aumentar.

Com a minha família não foi diferente, mais horas juntos, mais tarefas a serem cumpridas com aulas e trabalho online, mais conflitos. No entanto, também temos tido mais tempo de conversar e aprender juntos.

Desta forma, eu tive a oportunidade de colocar em prática um processo de autoconhecimento que aprendi que se chama 9 Passos e, um pouco mais à frente neste artigo, eu contarei para vocês um pouco sobre este caminho de desenvolvimento.

Conflitos Conjugais

Segundo o Instituto Brasileiro de Família, o Brasil registrou novo recorde de divórcios no primeiro semestre de 2021. De acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil divulgados pelo jornal O Tempo, de janeiro a junho de 2021 foram 37.083 divórcios, um aumento de 24% em relação ao primeiro semestre do ano anterior, com o início da pandemia da Covid-19.

Além disso, os casais quando têm filhos muitas vezes passam a ter conflitos que antes não existiam ou não eram perceptíveis. E, para colocar mais uma variável, outros membros da família podem estar envolvidos, como avós, tios, ex-cônjuges, entre outros.

Imagine então tudo isso junto: mais tempo em casa, todos juntos, em um cenário de maior caos e medo dado o momento, filhos ao redor mudando o sistema familiar!

Luta ou Fuga da Relação Conjugal

O ser humano, assim como os animais, tem duas respostas básicas no comportamento em uma situação de stress: luta ou fuga.

Então, num momento de alto stress, umas das ideias que pode vir a mente é: “a saída é eu me separar”, ou seja, é uma resposta quase automática para se libertar do que está incomodando.

Nós temos uma outra parte do cérebro, o neocórtex, que pode ter respostas mais evolutivas, mas que precisa ser acionado pois somente o primitivo é automático. As formas de acioná-lo são meditação, autoconhecimento, exercícios de presença, entre outras que apliquei nos últimos anos e que, em breve, compartilharei com vocês.

 Na cultura oriental, um vaso quebrado reparado pela técnica “kintsugi”, com pó de ouro, passa a valer mais do que um novo, pois ele expressa a sua antiguidade, a sua história.

Podemos pensar em cada um de nós como um vaso que contém muitas histórias, sendo algumas alegres e outras difíceis ou conflituosas, que acabaram deixando marcas, partes trincadas ou quebradas.

Autoconhecimento, Autoeducação, Autodesenvolvimento

Mas como “reparar” as marcas na alma? A resposta é autoconhecimento, autodesenvolvimento e autoeducação. Aqui eu conto para vocês que para a alma eu descobri que existe o Kintsuji, os “9 passos”, que é um processo que nos capacita a transformar sofrimento em aprendizagem. Ele foi concebido e criado pela psicóloga Maria Lucia Caldas, inspirada nos ensinamentos deixados por Rudolf Steiner, na sua experiência como terapeuta, consteladora e por sua aprendizagem com a própria jornada de desenvolvimento.

Os 9 passos

Neste artigo eu trago os nomes de cada um dos passos. Pretendo mês a mês trazer para vocês um pequeno resumo de cada passo que vocês poderão acompanhar pelo LinkedIn da friendsBee. E, para quem quiser fazer a jornada, deixarei ao final o link de inscrição nos 9 passos. Esta é uma das iniciativas da rede Semente Boa, onde todo valor recebido é destinado à uma instituição que atende crianças carentes.

Introdução: Quem Sou Eu e o que estou fazendo aqui?

1º Passo:  Reconhecer-se em equilíbrio/desequilíbrio

2º Passo: Tomar distância/proximidade

3º Passo: Contextualizar

4º Passo: Desidentificar-se

5º Passo: Identificar o propósito

6º Passo: Compreender sentido/significado

7º Passo: Identificar as resistências

8º Passo: Reconhecer, agradecer e honrar estar aqui  

9º Passo: Servir para vir à Ser

Todos nós passamos por constantes desafios e a questão é como lidamos com cada um deles, como oportunidades de crescimento, ou como vítimas.

Relações familiares

Toda família e todo casal sim, terá conflitos a enfrentar. Alguns mais, outros menos. Seja com relação à dinheiro, à Valores pessoais, na forma de educar os filhos, em questões de trabalho ou ainda, à família estendida de cada um, além de tantos outros.

Não conheço ninguém que tenha nascido numa família que só tenha virtudes, que não tenha “esqueletos no armário”. Muitas vezes não temos consciência disso, o que é o mais frequente, e acabamos ficando presos em um looping de conflitos.

Olhamos o parceiro(a), ou os filhos, como o problema e não percebemos que dentro de nós há algo que também deve ser olhado pois, afinal de contas, atraímos aquela pessoa ou situação por algum motivo.

Como não costumamos fazer esse exercício, então o comum é nos sentirmos vítima do outro, o que gera comportamentos diversos, como: negar, colocando embaixo do tapete o que incomoda, ou reagir, reclamando e criticando.

Além disso, o surgimento de sintomas como depressão, mal-estar, ansiedade, entre outros, que podem também levar a separação do casal.

Autoconsciência

O mais importante é que, ao aprender os exercícios dos 9 passos, passamos a ter uma ferramenta prática toda vez que algo acontece e percebemos que ficamos em desequilíbrio. É a construção de um novo olhar para tudo o que nos acontece.

Vale ressaltar a importância da terapia, entre outros tratamentos, quanto mais temos marcas que aconteceram bem no início das nossas vidas, para que estas marcas possam ser acessadas e tratadas.

Exemplo prático

Então, por exemplo, quando o marido ou a esposa fala em um tom agressivo, a nossa tendência é reagir com agressividade, sem compreender o que está por trás da nossa reação ou o que está acontecendo dentro do outro, sendo que o que nos incomoda é o que, de alguma forma, está mal resolvido dentro de nós mesmos.

Reagir como vítima é a pior ação, pois estamos presos a um olhar que pode não ser a verdade. Assim, é ainda mais importante ampliar a visão, o que só é possível através de um processo de autoconhecimento.

Com os exercícios dos 9 passos podemos reconhecer onde reagimos de forma automática e desconectada de nossos Valores, e fazer um caminho de compreensão e mudança.

“A ampliação da consciência requer prática, e não cresce como cabelo”, de acordo com Maria Lucia Caldas. E, como diz Rudolf Steiner, “somente podemos ser livres se tivermos consciência”.

Claro que existem casos em que a situação do casal é crítica e a separação é inevitável. Porém, na maioria das vezes, os incômodos foram se acumulando na relação do casal por um longo tempo e nunca foram cuidados de verdade.

Conclusão

O processo de autoconhecimento ao longo do tempo ajuda você a se cuidar, mudar. Impacta escolhas, comportamentos e gera bem-estar, mas não garante a reconciliação do casal. E se, depois de um trabalho interno, a escolha ainda for pela separação esta será dentro de um cenário mais saudável, importante quando envolve filhos.

Tenho visto casais que terminam em meio a conflitos dolorosos, sem terem processado a situação, e carregam isso pela vida. Acabam criticando o(a) ex na frente dos filhos e isso se torna prejudicial para a saúde emocional de todos. O pai/mãe pode ter defeitos, mas é o melhor pai/mãe que podemos ter e, principalmente, é um ser em desenvolvimento.

E, por último mas não menos importante: é uma libertação descobrir que sou vulnerável e que posso, com fios de ouro, reparar o meu vaso. Tem sido muito gratificante poder apoiar outros a repararem os seus próprios vasos, dentro desta visão de que cada um é um vaso único, com uma essência e com muito valor.

Para os 9 passos clique aqui

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Mirlene Marcos Ramos é Psicóloga com MBA e especializada em Coaching. Foi executiva de Recursos Humanos de empresas multinacionais e atua como consultora desde 2017. É coach, facilitadora de diálogo e conflitos, e terapeuta, utilizando conhecimentos e vivências que aprendeu na formação da  matriz de nascimento, nos 9 passos, criança interior, visão sistêmica, entre outras abordagens.

Que tal aprofundar os temas autoconhecimento e diálogo? Aproveite os artigos:

>> Crenças Limitantes – a vida dirigida pelo inconsciente e CNV pode ajudar a viver melhor e expandir a consciência

Agradecimento pela imagem: @gpointstudio ✨

Crenças Limitantes – a vida dirigida pelo inconsciente

Seu inconsciente pode ser o seu sabotador

Alice era uma profissional extremamente capacitada. Desde que se formou na faculdade nunca parou de estudar e sempre buscava o aprimoramento constante. Apesar do seu esforço e dedicação, os resultados profissionais e o reconhecimento que ela tanto ansiava não chegavam. Além disso, percebia que o retorno financeiro sobre o investimento em cursos era muito inferior ao que ela imaginava. E lá ia Alice fazer outro curso, afinal, os que ela já tinha feito ainda não eram suficientes para obter a tão sonhada realização profissional.

Afinal, o que são crenças?

Crença é toda programação mental, aprendida na infância do zero aos 12 anos, por repetição – várias vezes ou sob forte impacto emocional, uma única vez com uma carga emocional muito grande, que molda todos os resultados da vida de uma pessoa, em todas as fases de desenvolvimento dela e em todos os pilares. É como um drive que é instalado no seu cérebro desde que você estava na barriga da sua mãe.

Crenças, em outras palavras, são as verdades que você não contesta, simplesmente acredita. Exemplo de crenças universais debilitantes: “Não sou bom o bastante”, “Não sou capaz de fazer isso”, “Não mereço tudo isso”.

A sua vida é dirigida pelo seu inconsciente!

Quando somos crianças e estamos em processo de desenvolvimento do hemisfério esquerdo do cérebro, aquele responsável pelo pensamento crítico, raciocínio e lógica, nós simplesmente recebemos as informações/programações de nossos pais (principalmente), irmãos, avós, babás, tios e primos e as absorvemos sem questionar.

Crianças são totalmente emocionais, o que as comanda é o hemisfério direito do cérebro, responsável pelos sentimentos. Então, se essa criança foi elogiada e validada pelos pais e/ou responsáveis, muito provavelmente ela cresceu com autoestima, se sentindo capaz e merecedora de muitas coisas boas.

Por outro lado, se cresceu ouvindo muitas críticas, ataques à sua identidade e punição, certamente é uma criança que tem sérios problemas de autoestima, por não ver valor nela mesma, nem acreditar que é capaz e merecedora de ter coisas boas, e vai levar isso para a vida adulta.

Crenças fortalecedoras x Crenças limitantes

É muito simples diferenciar uma crença limitante de uma crença fortalecedora.

As crenças fortalecedoras são positivas e nos fazem bem, nos fazem sentir confiantes em nós mesmos e em nosso potencial.

Por outro lado, crenças limitantes são negativas e nos fazem mal, nos fazem sentir impotentes e incapazes de realizar nosso potencial. Infelizmente é o que ocorre com a maioria das pessoas. As crenças limitantes de fato limitam as pessoas em algum aspecto da vida, e as impedem de ser, fazer e ter tudo aquilo que elas merecem.

As três Crenças primais do indivíduo
  1. Identidade (quem você é ou quem você vem sendo): A identidade é a base de todo ser humano, é como você se vê. Quem é você? Ou quem você acredita ser? E ainda, quem você vem sendo nas mais diversas áreas da sua vida? Você acredita que é forte, determinado, feliz? Ou que é triste, fraco e inconstante?
  2. Capacidade (do que você é capaz): É sobre o que você acredita ser capaz de realizar. Está ligado ao fazer. Você… é realizador ou sonhador? Tira os projetos do papel ou engaveta? Faz o que precisa ser feito ou procrastina? Ou nem mesmo tenta por medo de não conseguir?
  3. Merecimento (o que você merece ter): É sobre o que você acredita que pode e merece ter. Quem não se sente merecedor sempre dará um jeito de se autossabotar ou de ter algum tipo de prejuízo. Se ganhar um pouco a mais de dinheiro, dará um jeito de se livrar dele rapidamente.

Se a sua crença de identidade é positiva, você se valorizará, se perdoará por suas falhas e vai buscar sempre evoluir como pessoa, não se permitirá viver na procrastinação e nem ficará paralisado pelo medo de agir.

Se a sua crença de capacidade é forte e você acredita que consegue realizar determinada coisa, assim será. E, por fim, se a sua crença de merecimento é positiva, você conseguirá desfrutar do seu esforço sem peso na consciência, por se sentir merecedor de tudo de bom que a vida puder te dar.

Como identificar quais são as minhas crenças limitantes?

Muito simples. Basta ver qual ou quais são as piores áreas da sua vida. Nas áreas que você tem um resultado bom pressupõe-se que suas crenças são fortalecedoras. E nas que o seu resultado é ruim, muito provavelmente é onde estão as crenças limitantes. Exemplo. Se você vive endividado ou se gasta tudo o que ganha, pode ter certeza de que possui muitas crenças limitantes sobre dinheiro. Se está solteiro(a) há mais de 4 anos, pode ter certeza de que possui crenças terríveis sobre relacionamento, namoro e casamento.

Normalmente as crenças que você tem serão determinantes para você vivenciar as situações que as reforçam. Ou seja, a sua vida, em todas as áreas, é um reflexo daquilo que você acredita. Se você acredita que precisa trabalhar muito para ganhar dinheiro, pode apostar que o dinheiro não virá com facilidade. E se vier, você não se sentirá merecedor dele e dará um jeito de se livrar dele. Vai atrair pessoas e situações que farão você gastar esse dinheiro ou ter algum tipo de prejuízo nesse quesito.

Características das crenças

São autorrealizáveis, ou seja, querendo ou não querendo (de forma inconsciente) você atrairá para a sua vida a realidade que acredita, tudo para reforçar as suas crenças.

São cíclicas, elas se manifestarão através do que você mais comunicar, verbal e não verbalmente, pelos pensamentos que você pensar com maior frequência e pelos sentimentos que surgirão desses pensamentos.

A boa notícia é que são reprogramáveis, ou seja, podem ser substituídas por outras se assim a pessoa desejar, mediante repetição ou forte impacto emocional.

E como eu reprogramo as minhas crenças limitantes?

Mais uma vez, a resposta é simples, não fácil. Ela se dá instalando um novo drive no seu sistema. Hoje você é um adulto, e está em suas mãos o poder de renunciar às crenças que te impedem de ir além, que não te ajudam a extrair o seu melhor e não te fazem ser a potência que você já nasceu sendo.

O primeiro passo é a tomada de consciência. Só podemos mudar aquilo que temos consciência.

O segundo passo é moer o orgulho e olhar para os resultados ruins da sua vida com coragem, verdade e humildade. Reconhecer que o que você sabe te trouxe até aqui. Mas é justamente o que você ainda não sabe que irá te fazer romper com essas crenças limitantes.

O terceiro passo é tomar a decisão firme de reprogramar as suas crenças e reconhecer que nem sempre conseguirá fazer isso sozinho e, assim, poderá procurar a ajuda de um profissional formado em Coaching Integral Sistêmico.

Este profissional é especialista em reprogramação de crenças. É treinado para identificar as crenças limitantes e ajudar o Coachee a fazer a trilha neural correta para reprogramá-las, identificando o seu estado atual, o estado desejado, traçando um plano de ação, eliminando todos os impedimentos e bloqueios.

Assim, com a aplicação de metodologia própria, captará as suas emoções de forma profunda ao mesmo tempo que potencializará os seus recursos internos. Ou seja, o que tem de melhor. E desta forma, alinhando a razão com a emoção e expandindo isso para todas as áreas da sua vida.

E quais eram as crenças limitantes de Alice?

Alice foi programada na infância a não se sentir boa o suficiente, então cresceu com o vício emocional da não suficiência. Logo, não importava quantos cursos ela fizesse, nunca se sentia pronta e boa o bastante. Provavelmente foi muito criticada quando pequena ou não foi ensinada a valorizar as pequenas conquistas. Além disso, tinha a crença de que era preciso trabalhar muito para ganhar dinheiro, por isso tanto esforço, tanto trabalho e pouco ou nada de resultados e reconhecimento.

Alice precisará resgatar a sua real identidade e se fortalecer emocionalmente. Deverá aprender a se aplaudir e a comemorar cada pequena vitória. E, também, irá aprender que o valor dela não está no que ela faz e sim em quem ela é.

A Alice sou eu. 🧡

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Aline Paixão é Advogada, Analista de Perfil Comportamental e Coach Integral Sistêmico formada pela Febracis. Atua também como Palestrante e Treinadora.

para falar com a Aline: [email protected]

🎁Presente especial: faça o teste “Minha Propensão à Felicidade” no app friendsBee e descubra suas potenciais crenças limitantes.

* Gostou do artigo e tem vontade de conhecer mais? Recomendamos os artigos: O papel do coaching no desenvolvimento emocional e Uma travessia pelo desenvolvimento emocional

* Agradecimento pela imagem: Run 4 FFWPU ✨

A polivalência da mulher e o poder feminino

Dia Internacional da Mulher

A história da mulher na sociedade é também uma história de vanguarda. Desde a época pré-moderna, movimentos sufragistas que lutaram pelo voto feminino e organizações femininas que buscaram – ainda em estruturas sociais plenamente dominadas por uma cultura patriarcal – direitos e oportunidades, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, foram determinantes para que hoje celebremos, todo dia 08 de março, o Dia Internacional da Mulher. Esta data, que foi reconhecida oficialmente em 1975 pelas Nações Unidas, mas que remonta a coragem dessas primeiras desbravadoras, ainda no início do século XX, por espaços de igualdade.

Mas a força e o protagonismo se estendem para além dos campos da luta política. Na arte, por exemplo, mulheres se destacaram dentro de contextos em que, novamente, toda a conjuntura social lhes privava de terrenos de fala e autonomia.

Mulheres Memoráveis

Pensemos, por exemplo, na poetisa Safo (ainda no século VI A.C.), nas escritoras britânicas Jane Austen e Emily Brontë (que figuram entre os principais nomes da literatura dos séculos XVIII e XIX e cujas obras, até hoje, influenciam artistas em todo o mundo) e nas modernistas brasileiras Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Pagu, que revolucionaram o universo da pintura, da literatura e até mesmo os costumes sociais no Brasil dos anos 20.

Política, arte, vanguardismo, coragem e luta. Essa polivalência de sentidos, sem dúvidas, é própria da mulher. Mulheres que são independentes, mães, executivas, intelectuais, professoras, acadêmicas e que são líderes como Michelle Obama, cientistas como Ada Lovelace, artistas que marcaram uma geração como Billie Holiday.

Ser mulher

Mulheres que, por sua vez, carregam consigo leveza e equilíbrio; destemor e maturidade; empatia e amor; e cuja essência se manifesta em mulheres trans, homossexuais, cisgênero e também em homens que buscam aprender e absorver elementos do feminino para suas vidas, pois, como bem disse a escritora inglesa Virginia Woolf, quando há o equilíbrio entre as forças do feminino e do masculino “a mente é fertilizada por completo e usa todas as suas faculdades”.

Me remetendo novamente a história, no entanto, é importante que não nos esqueçamos das mulheres anônimas, comuns, que viveram (e ainda vivem) sob condições adversas e que perseveram mesmo diante dos maiores obstáculos. A própria Virginia Woolf, aliás, observou com precisão – e mesmo diante destes exemplos aqui citados que conseguiram superar barreiras estruturais imensas – que pela maior parte da história, a mulher foi mantida como o ser anônimo.

O poder feminino de transformar vidas

Esse anonimato e a simplicidade, todavia, jamais podem ser traduzidos como a ausência das virtudes da força e da coragem que discuto aqui – muito pelo contrário. Em minha vida, tive a honra de conviver com mulheres inspiradoras e advindas dos mais diversos contextos socioeconômicos, que criaram seus filhos transmitindo valores de cidadania, empatia pelo próximo e humanismo; que construíram carreiras valorosas e que conquistaram o respeito e o carinho por onde passaram; que me apoiaram nos mais diversos desafios e na própria dinâmica de minha vida familiar e profissional.

Porque ser mulher, afinal de contas, é também ter a capacidade de encarar qualquer cenário e, como diamantes, brilhamos e deixamos marcas na vida de todos – de nossos colegas, familiares, filhos, namorados, namoradas, amigos e cônjuges. E mesmo que hoje já tenhamos conquistado muitos espaços no mercado e na sociedade – honrando assim a luta das mulheres citadas ao longo deste artigo – a grande verdade é que uma série de bloqueios ainda precisam ser vencidos.

A realidade hoje

A disparidade salarial no mercado, por exemplo, ainda é uma realidade chocante diante de um mercado em que tanto se discute sobre a importância da diversidade e da inclusão. Sobre este ponto, dados de uma pesquisa da Catho divulgados no fim do ano passado alertam para o fato de que lideranças femininas ganham até 19% menos que homens e que uma mulher, com a mesma formação acadêmica que um homem, chega a ter ganhos 43% menores. E essa realidade se faz presente mesmo quando levamos em conta que as mulheres são maioria quando pensamos em profissionais graduados (52%) e pós-graduados (56%).

Isso sem falarmos em problemas sociais como a violência contra a mulher (sexual, física e psicológica), paradigmas culturais relacionados à liberdade sexual e o próprio sexismo que em pleno século XXI ainda se faz presente – um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado em 2020 apontou que 90% da população global tem algum tipo de preconceito contra a mulher relacionado a questões que vão da presença política e oportunidades educacionais aos seus direitos reprodutivos.

Sim, o caminho ainda é longo para que possamos falar, de fato, em um contexto de equilíbrio e igualdade. Não tenho dúvidas, entretanto, que seremos capazes de trilhá-lo, pois se com nossa polivalência, sororidade e contínua resiliência transformamos (e criamos) vidas, nada nos impede de transformarmos (e criarmos) uma nova cultura e um novo ecossistema social em que todos e todas poderão exercer sua autonomia e seguir o rumo de suas escolhas.

FELIZ TODOS OS DIAS A TODAS AS MULHERES.

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Lady é CEO da LadyMorais Human Capital, uma consultoria focada, genuinamente, no desenvolvimento humano e organizacional. É conselheira e VP do Instituto Brasileiro de Accountability e professora do MBA de Fraude e compliance da FIA.

>>Leia também o artigo especial Mulher de 2021: O que vim fazer aqui?

>>>Na imagem “Mulheres Incríveis”: Ada Lovelace, Frida Kahlo, Agatha Christie, Luiza Trajano, Princesa Diana, Billie Holiday, Jacinda Ardern, Virgínia Woolf, Jane Austen, Oprah Winfrey, Pagu, Michelle Obama, Malala Yousafzai, Tarsila do Amaral, Angela Merkel

imagem: friendsBee ✨

No fundo do poço pode haver um trampolim …

No fundo do poço pode haver um trampolim ...

Quando a Andréa me convidou para escrever no blog da friendsBee sobre meu colapso emocional, eu fiquei um pouco reticente… não porque apresento alguma dificuldade em abordar o tema, mas porque sempre o abordei de forma oral e informal… aqui está sendo a primeira vez que o farei de forma escrita.

É um assunto tão denso, profundo, com repercussões que ainda venho digerindo desde então… eu me sinto tentando colocar uma baleia em uma lata de sardinha.

Contudo, aceitei o desafio e agora vou encará-lo: tentarei escrever de forma mais narrativa, tentando evitar eventuais juízos de valores. Gosto muito do que li de Immanuel Kant, no seu livro “Crítica da Razão Pura”. Ele nos remete à ideia de que não temos acesso à realidade objetiva (a qual ele cunhou o termo “coisa em si”), mas sim aos “fenômenos”, que são as experiências da mente originadas a partir da realidade objetiva. Assim, reconheço que o que ocorreu comigo vem sofrendo inúmeras transformações ao longo do tempo.

Eu estava na altura dos meus 40 e poucos anos, executivo de uma empresa se internacionalizando e tinha essa expansão internacional como uma das minhas responsabilidades. Trabalhava em uma startup com menos de uma década de existência, mas com grandes conquistas: mais de 300 colaboradores, com serviços lançados com as marcas de todas as Telcos brasileiras, algumas cadeias varejistas e outras Telcos pela Argentina, Chile e México. Os fundadores eram (e são até hoje), além de grandes amigos, pessoas inspiradoras, as quais admiro muito pela visão de mundo e capacidade produtiva.

Algo não encaixa…

Poderia me considerar uma pessoa bem-sucedida, com muitos amigos, uma vida social bem agitada, mas sentia que havia alguma coisa que não se encaixava. Entretanto, por mais que olhasse em volta, só conseguia enxergar motivos para me sentir grato. No entanto, tinha uma dificuldade imensa de acordar às segundas-feiras. Por incontáveis vezes, eu entrava no meu quarto na sexta-feira à noite e só saía dele na segunda ou na terça, com muita força de vontade.

Aos poucos, fui organizando a minha vida para trabalhar mais de casa, aproveitando-me do bom relacionamento que conquistara na empresa. Comecei utilizando esse artifício durante as manhãs de segunda-feira, que logo passaram para o dia todo. Algumas semanas eu me atrevia a abusar dessa confiança e acabava ficando em casa também na terça-feira.

Até que, em uma determinada sexta-feira, entrei no meu quarto, desliguei meu celular e não consegui me reconectar ao mundo por mais de 2 semanas. Esse isolamento só foi interrompido pela minha irmã, que saiu de Ribeirão Preto e viajou até o meu apartamento de São Paulo, ameaçando arrombar a porta se eu não atendesse. Nesse período de isolamento, eu fiz todas as elucubrações que me pareceram possíveis e “mais adequadas” para finalizar minha jornada na dimensão terrena.

A importância da família

Minha irmã me resgatou em São Paulo e me levou para Ribeirão Preto, diretamente para o consultório de um psiquiatra que já aguardava minha chegada para encaixe na agenda. Foi uma consulta rápida, com poucas perguntas, que resultou na prescrição de um antidepressivo e um atestado para apresentação na empresa que trabalhava (esse último, a meu pedido). O atestado foi bem objetivo e lacônico: eu me lembro apenas que recomendava o meu afastamento por 45 dias, devido entre outras razões à apresentação de “tendências suicidas”. Eu me encontrava tão devastado à ocasião, que nem me importei muito em compartilhar esse tipo de atestado com o RH e meus gestores na empresa.

Estávamos em agosto de 2016 e a empresa me manteve em seu quadro de funcionários até dezembro daquele ano, quando, por minha própria iniciativa, achei por bem pedir meu afastamento definitivo por entender que aquela vida que eu vivia não caberia mais no meu futuro. A decisão me pareceu correta em termos éticos, mas a falta de perspectiva do que faria da vida dali em diante me jogou novamente para dentro do meu quarto (desta vez, em Ribeirão Preto).

A importância dos amigos

Ao final de janeiro de 2017, recebi a visita de dois amigos de infância. Eles me fizeram tomar um banho e me levaram para dar uma caminhada no parque. Durante a conversa, um deles me perguntou se eu aceitaria conversar com o psicanalista dele. Eu me dispus a encontrá-lo, mas adiantei que sem renda, não poderia me comprometer com qualquer tratamento. Ele só me disse: “um passo de cada vez. Primeiro, vamos ver se você gosta dele e ele de você.”

Marcamos a consulta, fui conhecê-lo e conversamos por quase duas horas. A conversa foi excelente, mas, com a falta de visibilidade de como poderia dar continuidade ao processo, não me permiti muita empolgação. Passaram-se algumas semanas e recebi a visita deste amigo novamente, que me deu a notícia mais emocionante da minha vida até então: ele havia juntado 15 amigos em comum que se cotizaram para me dar de presente 1 ano de psicanálise.

O trampolim

A partir dali iniciei uma profunda caminhada ao autoconhecimento, o qual penso ser uma base sólida onde eu posso construir melhores métodos para lidar com meus diversos sentimentos, de forma a privilegiar a gratificante sensação de “estar de bem com a vida”.

Este texto sintetiza uma longa noite escura: o primeiro contato com meu mundo interno. Esse episódio, por mais duro que foi vivenciá-lo, colocou-me de forma despida, permeável a novos vértices e aprendizados profundamente significativos. É muito comum criarmos personagens para nós mesmos e acreditarmos que somos esses personagens, distanciando-nos de nossas essências, até que não seja mais possível identificar quem somos, ou melhor ainda, quem podemos ser. No meu caso, por exemplo,

noto que minhas memórias anteriores ao colapso emocional são muito turvas … como um sonho esfumaçado … é como se eu estivesse vivendo a vida de outra pessoa … um espectro de mim mesmo …

Posso afirmar que nutro profunda gratidão por esse episódio. Não consigo me imaginar em uma posição melhor do que estou hoje, se não tivesse vivenciado tudo isso. Foi necessário para desconstruir vários dos meus dogmas e abrir espaço para uma caminhada mais frutífera e construtiva de vida.

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André é sócio fundador de uma produtora de cinema, uma empresa de consultoria e trabalha como executivo de uma grande empresa de tecnologia.

Acima de tudo, um entusiasta do autoconhecimento enquanto jornada reveladora para nortear melhor as nossas escolhas, decisões e renúncias do dia a dia.

>> Gostou? continue a sua reflexão com o artigo “Quantas vidas você tem”, da fundadora da friendsBee, Andréa Destri

>>> Agradecimento pela imagem: Benjamin Sow ✨

A Relevância das Práticas Contemplativas para a Saúde Emocional

Atividades Contemplativas

Em certos dias, é a ansiedade e dor de cabeça, em outros, noites entrecortadas pelos pensamentos repetitivos e questões não resolvidas. Ombros ‘eternamente’ enrijecidos, aquele incômodo na cervical. Ou é o estômago que não anda muito bem? Seguimos esquecendo ou adiando pendências e compromissos mais uma vez, empilhando ou embolando mesmo os tópicos importantes e urgentes. Vamos fazendo o que dá, até as próximas férias ou algum alívio no fim de semana.  

Frustração, medo, reações exageradas ou anestesiadas. São muitas as faces emocionais e respostas físicas em decorrência de uma normalidade viciante e viciada, muito convincente em meio a métodos de gestão de tempo e produtividade. Entre as horas que temos e as que precisamos, nossas armadilhas envolvem aspectos psicológicos e estruturais a respeito da ocupação.  

Precisamos de Espaço

Frequentemente converso sobre os estados regulares de tensão e alerta que vivemos. Seja nos atendimentos que faço ou com pessoas que conheço. Por vezes, entram também na pauta o cansaço e a culpa. “Não há tempo a perder” costuma ser o mantra, mas o que a gente precisa mesmo é de Espaço.

“Eu imagino um dia em que os exercícios mentais possam fazer parte de nossas vidas diárias tanto quanto os exercícios físicos e a higiene pessoal” – Dr. Richard Davidson, neurocientista, fundador e diretor do Center for Healthy Minds

De uma perspectiva de cuidado com o bem-estar pessoal, esse Espaço que menciono é a necessidade de incluir ‘respiros mentais’ ao cotidiano, através de atividades que restabelecem o equilíbrio emocional e físico, assim como reconexões com nosso senso de Propósito e autonomia, fortalecendo laços de qualidade. Cito especialmente as Práticas Contemplativas como fonte inesgotável de desenvolvimento pessoal e amplitude de visão, frente aos cenários que se apresentam, de maneira mais sistêmica.

As Práticas Contemplativas

O termo contemplativo, tido originariamente como o ato da apreciação, influencia a ciência e ganha força em diversas frentes de pesquisa. A denominada Ciência Contemplativa é a ponte entre o estudo empírico da ciência e o estudo subjetivo e experimental da consciência. Permite um conhecimento mais profundo dos fenômenos mentais e neutraliza os efeitos dos desequilíbrios conativos (intenção e desejo), atencionais, cognitivos e afetivos.

Neste portfolio estão atividades milenares como meditação, pausas de silêncio, yoga, tai chi chuan, artes manuais, canto e música. Diálogos restaurativos ou escuta profunda, contação de histórias, journaling (registros como um diário), entre outros.
Cultivam um foco em primeira pessoa; às vezes com a experiência direta como objeto, enquanto outras se concentram em ideias ou situações complexas. Incorporadas ao cotidiano, elas agem como um lembrete para se conectar ao que achamos mais significativo.

As práticas contemplativas desenvolvem capacidades para concentração e acalmam a mente. Este estado de centralidade pode ajudar a desenvolver nossa habilidade em autorregulação, maior empatia e comunicação assertiva, reduzindo o estresse e aumentando a criatividade. Podendo ser implementadas através de orientação profissional ou de forma autodirigida.

É para todo mundo!

As práticas contemplativas são aplicáveis à  diversas áreas e diferentes perfis.

Fui me apropriando do valor dessa integração da vida ‘setorizada’ em 2012, quando retornei às práticas budistas e aprofundei em conhecimentos relacionados. Em paralelo, a trajetória com grupos colaborativos amadurecia e, ao lidar com os integrantes, surgiam inúmeras questões humanas mais amplas do que o processo criativo. Até culminar na formação como professora do Cultivating Emotional Balance e ingressar na psicologia, foram (e ainda são) muitas investigações, experimentações e estudos, para além dos modelos prontos.

O melhor de tudo é poder escolher e adaptar as práticas de modo que possam incorporar-se a vida de cada pessoa. Com o tempo, percebemos a necessidade e possibilidades de melhorias em um ou mais assuntos do dia a dia. Mais insights podem surgir e melhores respostas frente aos desafios.

Profissionais de diferentes áreas relatam maior autoconfiança, motivação, equilíbrio emocional e concentração, ao decidirem por uma ou mais práticas. Há inúmeras meditações que funcionam como porta de entrada e são a base essencial para as atividades. O journaling, por exemplo, foi foco de estudos* que comprovaram que dispensar 20 minutos do dia para relatar seus pensamentos e sentimentos podem melhorar a atitude, resiliência emocional, saúde física. 

Ao decidir realizá-las, é premissa ter em mente que a regularidade, mesmo oscilante inicialmente, é fator fundamental para adquirir o hábito. Assim como não construir expectativas sobre resultados e prazos, ou comparar-se com outras pessoas.

* Pesquisa conduzida por Joshua M. Smyth na Universidade de New York

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Cleyde Engelke é bacharel em Design com especialização em Design Thinking pelo IBMEC. Instrutora de Gestão Emocional pelo Albert Einstein e Santa Barbara Institute, com formação em mediação de conflitos e práticas de diálogo. Mentora de processos criativos individuais e em grupo.

>> Gostou do artigo e quer conhecer mais sobre as emoções? recomentamos Quando as emoções tomam conta do nosso ser

>>> Agradecimento pela imagem: Mohamed Hassan ✨

Perdas e Ganhos, a gangorra da vida!

Perdas e Ganhos, a gangorra da vida!

Vocês já repararam que nascemos perdendo?  

A primeira grande perda é o útero materno, e começa assim a grande batalha pela vida! Depois perdemos o colo, e com esta perda vem uma grande conquista. Nós aprendemos a andar! O primeiro degrau para a liberdade, de muitos outros que virão.

Todo esse processo é feito de quedas, tombos e incentivos. Naturalmente nossos pais ou responsáveis nos estimularam os passos. Assim, lentamente vamos largando aquelas mãos protetoras, e no cair e levantar escolhemos nos equilibrar!

E esse caminhar, a grande vitória por mérito próprio, nos impulsiona a não sermos rastejantes e seguirmos caminhando!  Dessa forma, em mais um degrau a conquistar, deixamos o aconchego do lar e vamos para a escola, nosso grande primeiro círculo social pós família. Lá perdemos os nossos mimos diários e aprendemos a conviver com outras crianças, que também estão aprendendo a viver sem os mimos e as mãos protetoras da família.

O grande Poder

 E dentre essas perdas, vejam… GANHAMOS! É o poder incrível que exercemos. Perdermos para Ganharmos. Perdemos o abrigo, o colo, a casa… ganhamos uma escola, uma professora, amigos barulhentos. Alguns espaços diferentes… a alfabetização! O poder da escrita, leitura, as quatro operações matemáticas. E o melhor… o grande poder da análise e da interpretação! E é nesse momento que sabemos que podemos avaliar, criticar e revolucionar o nosso micro universo. É mesmo um grande poder, pois como um ser pensante, que elabora e interpreta, podemos ser a própria REVOLUÇÃO.

Revolução tanto INTERNA como EXTERNA!!! Nesse momento, jovens ainda, sabemos que teremos um mundo, mas teremos que nos colocar perante a esse mundo, como mocinhos ou vilões, ou seja, ganhando ou perdendo.

Com o percorrer da VIDA, vamos perdendo a primeira escola, conhecendo a segunda como um espaço maior… Tudo é novo, tudo é conquista, tudo é desbravador!

Um belo dia, perdemos um ente querido e, nessa perda, ganharmos um novo contexto familiar! Diante dessa dor, aprendemos a conviver com o luto! Automaticamente acontece um reposicionamento, como em um jogo de tabuleiro… as peças restantes se ajustam ao jogo e ganhamos nosso novo papel social e continuamos a luta, afinal, há muitos degraus a subir.

Perdas trazem Ganhos

E com o novo jogo de perdas e ganhos continuamos! Perdemos ser apenas FILHOS e nos tornamos PAIS. Agora somos os grandes responsáveis pela vida de outras pessoas, logo, qualquer movimento nosso os atinge, para o bem ou para o mal. E no meio deste paradoxo da vida só nos resta GANHAR, porque agora a vida que era só minha impacta diretamente meus filhos, meus pais que viraram idosos…

Diante de tantas experiências com perdas, nos sentimos triunfantes porque vencemos em pedacinhos, dessa forma sutil, leve, natural, e ganhamos AUTONOMIA! Autonomia para sermos adultos, pais, profissionais. Para SERMOS livres de amarras sociais.

E nessa louca roda viva, sabemos que PERDER É GANHAR! Na perda ganhamos um empoderamento, uma capacidade de nos REINVENTARMOS.  

Então… nunca devemos parar diante de uma perda. Elas virão! E virão sem pena e sem piedade, mas dessa forma você se refará. E, dentro desse círculo de perdas e ganhos, nos tornamos uma máquina de transformação, onde tudo acontece naturalmente. Uma mágica construção, de forma intrínseca, quase imperceptível.

E quando você percebe, você GANHOU! Meu convite é para que façam esta reflexão agora mesmo.

Orgulho se si

Perceba, Você é a pessoa que já perdeu muito, mas que no meio de tantas perdas, obteve muitos ganhos. Você é VITORIOSA!

Você superou as perdas e brinda seu sucesso. Percebeu que pode escolher buscar os GANHOS provenientes das PERDAS.

Diante do exposto, quero deixar evidente que perder faz parte da vida! Mas não podemos olhar somente por esse prisma, já que a vida é multicolorida! De cada perda, podemos sim enxergar um ganho. É o poder humano, a nossa capacidade de mutação, de aprimoramento, de reconstrução.

A vida é cíclica, e muitas vezes espiral, e nós sabemos que no meio de uma tormenta é quase impossível enxergarmos as “vantagens” de uma Perda. É com o amadurecimento, com uma boa rede de apoio, e com o propósito de sermos positivos que aprendemos com as nossas muitas quedas. E crescemos de tal forma, que parecia impossível.

Tenha sempre orgulho do que você conquistou. Mesmo que perdendo, Eu sei, Você sabe, QUE VOCÊ GANHOU!

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Débora atua como professora do Município do Rio de Janeiro há mais de 20 anos. É Pedagoga, Psicopedagoga Institucional e Clínica. É filha, mãe e avó.

> Gostou do artigo? Leia o primeiro texto da autora: A dor como segregadora social

>> Agradecimento pela Imagem:  Ratna Fitry